No princípio dos tempos, o Criador era o próprio Verbo, isto é, o próprio logos, na medida em que a fundação da vida e o Mistério da Criação estão postados de maneira redentora no início dos tempos.
Na verdade, a vida e morte de Jesus não representaram circunstâncias aleatórias da história, senão o próprio Mistério por excelência do projeto de Deus para a salvação dos pecados. O advento de Jesus Cristo, meridianamente enviado pelo Pai para o fim de salvar os homens, elucidou o desígnio determinado pela vontade do Senhor para que seu Filho executasse tudo o que estivesse em seu destino eterno e predestinado, a fim de realizar o projeto da salvação.
A redenção universal, isto é, a salvação dos homens da escravidão dos pecados viabilizada pelo envio de Cristo importou na realização de um projeto de Deus para a libertação da humanidade, conforme já estava presente nas Sagradas Escrituras e na Criação.
Por esta razão, a morte de Jesus, do Servo Justo e sofredor do Senhor, significou a redenção de todos os homens e a salvação diante do pecado original. Por isso, o sangue precioso de Cristo, como cordeiro sem defeitos e sem máculas, representou o resgate dos homens para a vida, face a tendência para a destruição da humanidade causada pelo pecado.Assim, os pecados dos homens, criaturas de Deus, são sancionados pela morte.
Então, para que fossemos salvos, Deus enviou seu Filho, que não conhecera o pecado, para que nos libertasse da própria autoflagelação, fazendo Jesus tornar-se carne e assim, por meio dele, salvar a humanidade. Por isso, Jesus é o salvador do mundo, eis que permitiu, mediante o próprio projeto de salvação do Criador, que a Justiça de Deus fosse feita, salvando os homens. Mais: tornou-se digno do pecado quando, na cruz, experimentou as seguintes palavras: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?”. De fato, fazendo-se solidário a nós pecadores, Jesus foi oferecido por Deus para que fossemos salvos. O fato de Cristo ter sido enviado por Deus na condição de Servo Justo e Salvador fez com que Jesus fosse manifestado, em vida, na morte e na ressurreição, para a causa dos homens: a libertação dos pecados. O seus envio por Deus, portanto, representou a sua entrega por nós, a fim de que fossemos reconciliados com Deus pela entrega de seu filho Jesus.
O envio do “único” Filho por Deus, assim, revelou o Amor verdadeiro e benevolente de Deus para com nós, suas criaturas, pois Jesus foi alocado, no projeto de Deus, como “vítima” de nossos pecados pela expiação dos atos humanos. Como fica claro na Epístola de Paulo aos Romanos, 5,8, “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Ou seja, Jesus foi a prova “viva” da revelação da vontade de Deus e do amor de Deus para com nós.
Jesus morreu por todos os homens. A salvação do homem se deve ao envio de Cristo por Deus para que fossemos, através da expiação divina, libertados da ira dos pecados. A vinda de Jesus como Servo enviado do Senhor é a prova da graça e do amor de Deus para com os homens, santificados e agraciados por meio do corpo de Cristo. O seu fim na terra foi a realização da vontade de Deus, por meio do projeto de consumação da obra da salvação. Jesus se fez homem, assim, para que os pecados do mundo inteiro fossem inteiramente expiados mediante o sacrifício de seu corpo. Ademais, a causa dinâmica de Jesus para oferendar o seu corpo em sacrifício para a salvação dos homens da terra sucedeu mediante um amor incondicional ao Pai, isto é, uma Paixão Redentora, motivo de sua Encarnação e de sua vinda.
Para que Deus fizesse sua Opus Dei (Obra de Deus), foi importante o envio de um homem, que para se provasse o envio de Cristo salvador. Eis o homem chamado João, testemunha da luz de Deus que presenciou e intermediou o advento da Luz da Salvação, como resta evidente no Evangelho de João, 1, 6-9: “Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz. A saber: a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem”.
Desta forma, João Batista batizou Jesus junto com outros pecadores e testemunhou a graça de Deus por meio do nascimento de Cristo. Foi ele a testemunha da graça escolhida por Deus. Se a Lei foi Dada por intermédio de Moisés, “a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1, 17). Após ser interrogado sobre sua procedência, João dá o primeiro testemunho: “Eu sou voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (...) “Eu batizo com água; mas no meio der vós está quem vós não conheceis, o qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias (...)”(Jo 1, 23-27). No dia seguinte, João recebeu Jesus para realizar o batismo e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1, 29). Durante o batismo, João proferiu o seguinte: “Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele. Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água, me disse: ‘Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo’. Pois eu de fato vi, e tenho testificado que ele é o Filho de Deus” (Jo 1, 32-33). No dia seguinte, João ainda referiu-se novamente à Jesus: “Eis o cordeiro de Deus” (Jo 1, 36).
Diante da passagem de João no Livro Sagrado, fica claro que o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” é o próprio Jesus Cristo enviado por Deus Pai e feito homem para nos salvar do pecado.
Mas por que Cordeiro?
No Evangelho segundo Marcos 10, 45, há uma passagem digna de nota: “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. A manifestação sobre o sentido de Jesus entre os homens, isto é, Cordeiro de Deus, na condição de Filho d´Ele, está em que “Jesus é ao mesmo tempo o Servo Sofredor que se deixa levar silencioso ao matadouro ,e carrega o pecado das multidões, e o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel por ocasião da primeira Páscoa” (Catecismo da Igreja Católica, 2000, nº 608).
Cordeiro era o animal oferecido em sacrifício a Deus pelos povos de Israel para a remissão dos pecados, de maneira que o mesmo tinha sentido de Servidão diante das oferendas judaicas para a oferenda dos povos antigos. No caso de Jesus, o fato de sua oferta em sacrifício para a salvação da humanidade e remissão dos pecados, representou o amor de Cristo para com Deus e, ao mesmo tempo, o sofrimento e a morte de seu corpo, a fim de oferecer em sacrifício a si mesmo para que os pecados humanos não destruíssem a vida e a Luz. Jesus, assim, foi considerado o Cordeiro, isto é, o Cordeiro de Deus, aquele a quem Deus recebeu como oferta para a nossa salvação. E prova de seu amor está em que o Cordeiro, o enviado em sacrifício, fosse seu único Filho, causa essencial de sua expiação para com nossos pecados. Jesus foi o Cordeiro de Deus, que tirou, tira e tirará sempre os pecados do mundo, pois se doou em Amor ao Pai e aos homens. O sacrifício de seu corpo é prova de sua condição de Servo Sofredor e de Cordeiro Pascal, pois sua ressurreição foi motivo de expiação para as provas da salvação. A sua morte na cruz foi a oferenda de seu corpo para a salvação dos homens, como Cordeiro enviado por Deus para a remissão dos pecados humanos.
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3 comentários:
"... a fundação da vida e o Mistério da Criação estão postados de maneira redentora no início dos tempos."
Como é possível escrever algo assim sobre o início dos tempos? Você estava lá?
Eu não estava, pois Quem estava era o próprio Criador, o que Ele mesmo nos faz conhecer através de sua Palavra, isto é, o Texto Sagrado. As Escrituras Sagradas nos revelam tais acontecimentos, no Livro Gênesis.
Leia e você verá.
E mais: se quiser postar aqui, mostre sua cara, pois de anônimos medrosos o mundo está cheio.
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