sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

CONHECEMOS “EM” DEUS

BERNARD LONERGAN apresenta, em seu “Metodo en Teologia”, uma verdadeira metodologia transcendental, como ele mesmo chama. Ele diz que há uma mesma estrutura dinâmica no processo cognitivo, movido inicialmente pela intencionalidade e pela iluminação que a realidade produz na consciência. É dizer: na relação entre o objeto e o sujeito, há uma mesma estrutura cognitiva que conduz o sujeito consciente na percepção e captação do objeto.

Diz ele que existem quatro níveis no processo cognitivo, e que nesses quatro níveis há não apenas uma compreensão do objeto, senão também uma compreensão da própria consciência no ato da intelecção, ou seja, uma consciência da consciência agente.

SENSIBILIDADE- INTELIGÊNCIA – RACIONALIDADE – RESPONSABILIDADE

Quatro etapas. Quatro níveis de experiência da consciência. Assim, o conhecimento do ser pressupõe essa caminhada longa, dificílima e árida da consciência agente em direção do objeto e de si mesma. Por isso, todo ato da consciência é, nesse aspecto, uma autoconsciência formal e material. Eis aí a dimensão psicológica do nexo entre os graus de possibilidade e de necessidade na estrutura dinâmica da cognição.

Notei que, nessas etapas cognitivas, há também uma correspondência com os níveis de realidade detectados por XAVIER ZUBIRI em seu “Estructura dinâmica de la realidad”, acompanhando os níveis estabelecidos por ARISTÓTELES no início da Metafísica. Sim, pois na medida em que migramos dos níveis básicos da existência para graus mais “efetivos” de autoconhecimento, também incorremos em um conhecimento universal de todas as consciências agentes existentes. Por isso, quando conhecemos, conhecemos não somente em nós, mas por algo que está fora de nós, iluminando nossa própria cognição de fora e de dentro. E esse motor imóvel de nossa cognição é o ESPÍRITO SANTO DE DEUS!